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ARTIGOS
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Redizer Folclore
Teresinha
Santos
In Boletim informativo da AFERAM, Novembro 2006
É sabido que o Folclore, como expressão espontânea
de um povo, existe desde que há memória de vida humana.
O estudo desta temática, como ciência, só aconteceu
tardiamente, como refere Maria de Cáscia Nascimento no início
do seu Livro “Para Entender Folclore, volume 3”.
“Era uma vez um inglês, de nome William John Thoms. Conta-se que
era arqueólogo. Talvez por força da sua especialização,
era atento e interessado naquilo que na Inglaterra chamavam de Antiguidades
Populares ou Literatura Oral. Tratava-se de contos, lendas, provérbios,
adivinhas, mitos, adágios, canções, enfim, narrativas
e dizeres de origem popular e transmitidos oralmente e mantidos pela
memória”.1
Recontando as preocupações de Thoms no que dizia respeito
ao registo do saber popular, Cáscia lembra que este estudioso
percebeu a amplitude do Folclore a partir dos acontecimentos triviais
e insignificante, mas profundos em elos, numa extensa cadeia, perdida
no tempo.
Para afirmar esse universo de memórias, Antiguidades Populares
ou Literatura Oral, Thoms escreveu uma carta, publicada a 22 de Agosto
de 1846, no Jornal Londrino, The Atheneum, para apresentar uma palavra,
de origem anglo- saxónica, Folk-Lore para designar “o saber
tradicional do povo”.2
Assim, foi encontrado o termo Folk-Lore, que, aceite e divulgado em países
de tradições ancestrais e, depois aportuguesado para Folclore,
que progressivamente, se debruçava nos estudos relacionados com
a vida, costumes e tradições do povo português, segundo
os usos e costumes das várias Regiões.
“Apesar do estudo do Folclore ser relativamente recente, (...) é a
cultura mais antiga da humanidade, mais velha do que a História,
pois mesmo antes que a ciência histórica existisse, já os
mitos, as lendas e o artesanato eram transmitidos através das
gerações desde os tempos pré- históricos”.3
O Folclore não se limitou apenas à sabedoria popular, ao
conhecimento adquirido pela experiência, mas apoiando-se em conceitos
da Etnografia e Antropologia foi melhorando as suas técnicas e
métodos de pesquisa, contribuindo deste modo, para um melhor conhecimento
da sociedade.
Recordamos as exortações do grande estudioso e amigo, Prof.
Tomás Ribas, então, Director da Divisão de Folclore
e Etnografia do Inatel Português, através da escrita e da
linguagem, Conferências, Seminários e Congressos, em que
tivemos o privilégio de participar. Frequentemente ouvimo-lo argumentar
que, Folclore é a ciência do saber popular, fundamentada
em vivências, transmitidas de geração em geração,
de modo implícito, silencioso e invisível.
Actualmente, há uma ideia, mais ou menos generalizada, de que
no Folclore assenta em quatro pilares fundamentais: a antiguidade, também
chamada tradição, a persistência, a oralidade e o
anonimato. E, que o implícito, o silencioso e o invisível,
são tão importantes como as grandes manifestações
de festas, romarias e outras.
Sem nos apercebermos, o Folclore acompanha a nossa existência e
influencia a nossa vida de crianças, jovens, adultos ou idosos.
Isto é reconhecido na nossa maneira de sentir, agir e reagir.
Somos produto da família e do meio em fomos criados, sem excluir
as influências exteriores que acrescentando e inovando a cultura
tradicional, dão dinamismo ao Folclore.
Aos grupos de Folclore, auguramos que não limitem o Folclore às
exibições exteriores, mas orgulhosos da cultura de seus
avós, estudem, pesquisem, perseverem e divulguem esse rico Património.
1 - FRADE, Cáscia, “Folclore/Cáscia” 2ª Ed
- São Paulo: Global, 1997, p. 9.
2 - IBIDEM.
3 - MEGALE, Nilza B., “Folclore Brasileiro”, Ed Vozes, Petrópolis,
1999, p. 12.

Teresinha Santos - é actualmente Presidente da Assembleia
Geral da AFERAM e Presidente da Casa do Povo da Ponta do Sol. Durante
anos trabalhou em prol do folclore madeirense através dos Serviços
de Extensão Rural / Serviços de Desenvolvimento Rural. Apoiou a criação
de vários grupos, e coordenou o Festival de Folclore
regional "48 horas a bailar" e a revista "Folclore".
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